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segunda-feira, 10 de março de 2014

O trabalho feminino nos engenhos



O trabalho feminino nos engenhos


Os engenhos e as fazendas tinham inúmeras indústrias caseiras tocadas exclusivamente por mulheres: a do preparo da rapadura, aguardente e melado. A da mandioca. A do algodão do qual se fazia roupas de escravos, lençóis, sacarias e outros misteres.
“Feita em peneiras, a colheita dos ‘capulhos’ em sacaria, era transportado o produto para casa, onde, nos terreiros, cuidadosamente se ultimava a seca. Para a separação das sementes, usavam-se umas engenhocas pequenas mas muito bem feitas, todas de madeira, denominadas descaroçadeiras, as quais, lateralmente, eram acionadas por duas negrinhas, ficando outras duas encarregadas de alimentar os cilindros e de retirar o algodão livre. Em seguida, era este entregue as fiandeiras – escravas de grande prática no perfeito uso das cardas, dos fusos e das rocas, das quais se obtinha toda a fiação que era, com efeito, excelente. Obtida ela, eram os fios regularmente distribuídos nas varias peças de tear – máquina engenhosíssima, toda de madeira e acionada por uma única pessoa, a qual por sua vez movimentava a lançadeira! O tecido assim conseguido era muito bem confeccionado e, mais ou menos, da largura de quatro palmos”. (descrição de Everardo Valim Pereira de Souza)
O mesmo tear era também utilizado para uma outra tecelagem; a da lã, proveniente das ovelhas criadas nas próprias fazendas, de acordo com as necessidades. Empregava-se aquele artigo principalmente na confecção de mantas ou cobertores, de timões ou japonas para a proteção dos escravos contra a quadra fria do ano. E diga-se a verdade, no referido gênero de tecelagem havia certa dose de arte africana, na distribuição das cores da padronagem.
Outra indústria, embora de pequeno consumo, era a do anil extraída da planta índigo. Colhidos os pequenos legumes em época própria, juntamente com os galhos, eram geralmente socados em um pilão comum e, em seguida, postos em maceração em água proporcionada; esta era diretamente usada na clarificação das roupas. Para a tintura de tecidos usava-se também graúna, urucu, sobragi, genipapo, catuaba e outros. A tinturaria caseira consistia em tachos de cobre fervendo líquidos no qual se mergulhavam pedaços de madeira, pedras ou folhas. Uma tintureira vigiava a coloração negra obtida com a graúna, boa para vestir luto; o amarelo, para tingir camisas de trabalhadores, pois custavam mais a sujar e assim por diante.
Outras pequenas indústrias que ocupavam o dia a dia: a fabricação de velas com aproveitamento de sebo dos bovinos e ovinos abatidos para a alimentação. A do sabão de cinzas, preparado com gorduras, sais de potassa e cinzas de plantas especializadas, de preferência pau-d’alho ou Guararema. As candeias consumiam o “azeite feito em casa” proveniente da mamoeira ou da carrapateira. No dia de fabricação deste azeite, desde cedo, um tacho de cobre era posto sobre uma trempe, aquecido por pequena fogueira. “A um canto, negras socavam nos pilões as sementes da mamona que se viam em cestos alinhados, cheios de bichinhos de conta formados pelos caroços debulhados dos cachos, serviço para o qual se tinham reunido os negrinhos de mandrião, durante horas de risos e de gritos. Dentro em pouco, as maçarocas produzidas pelos pilões foram jogadas na água que começava a ferver, e a cozinheira aproximou-se muito séria, com a solenidade dos mestres, para dar uma mexida na panela, a comprida colher de pau mantida pelas duas mãos. Grandes bolhas se abriam na superfície da água e o ruído surdo da fervura enchia toda a enorme sala com seu murmúrio”, relata-nos Cornélio Pires. A farinha de milho ou fubá, por sua vez, obtinha-se da moagem do cereal, feita em moinhos de pedra sobre rodinhas, acionados a forte jato d’água. Quanto à preparação da raiz de mandioca, Rugendas pintou o interior de uma casa de farinha, com mulheres manipulando um rodo sobre a chapa quente.
Além disso, multiplicavam-se profissionais em ofícios de necessidade: “modistas, que teriam feito aprendizado na casa de uma modista da Corte, encarregadas do vestuário de sinhás, sinhás-moças e sinhazinhas. As cozinheiras que dividiam com os cozinheiros as respectivas especialidades; as biscoiteiras. As mucamas arranjavam quartos e alcovas; além disso serviam banhos em bacias de cobre e pela manhã, levavam em bandejas o clássico café com leite, gemada ou chocolate, acompanhada de gulodices. Havia “mucamas especializadas” que tomavam conta de tudo concernente a uma pessoa, encarregando-se nas horas vagas de contar estórias às crianças, de dar-lhes cafunés. Uma coorte de crioulinhas costurava, fazia os serviços leves e pela tarde, areava as bacias, utilizando-se da cinza de Guararema e de limões meio partidos. Não faltavam boticárias e enfermeiras para o preparo de mezinhas e remédios caseiros, como já foi dito, além de parteiras que aparavam e enterravam umbigo de criança no jardim.
- Mary del Priore
Trabalho num engenho de açúcar no Brasil colonial

sábado, 1 de março de 2014

10 mulheres guerreiras imbatíveis

1- Judite

Pintura de Judite cortando cabeças
Judite foi uma rainha não-cristã que governou o reino etíope de D’mt por volta de 960. Ela dominou o antigo reino de Axum, então capital sagrada da Etiópia. Ela foi responsável pela destruição de monumentos, igrejas e tentou eliminar todos os membros da dinastia que reinava, descendentes da rainha de Sabá.
Suas ações foram registradas pela tradição oral e em vários outros registros históricos. Acredita-se que ela matou o imperador e assumiu o trono por 40 anos. Relatos de sua violência e crueldade ainda são contadas pelos camponeses nas comunidades do Norte da Etiópia. Segundo as tradições, ela saqueou e destruiu Debre Damo, local sagrado dos antigos reis da Etiópia.

2- Triêu Thi Trinh

Pintura de Trieu-Thi-Trinh montando um elefante
Triêu Thi Trinh foi uma guerreira vietnamita do séc. III, que conseguiu resistir às forças de ocupação do Reino Wu. Ela nasceu na província de Thanh Hoa, no norte do Vietnã. Quando ela nasceu, sua província era controlada pelo Reino Wu, um dos três grandes reinos da China. Triêu ficou órfã muito cedo e foi tratada como escrava até os 20 anos.
Ela conseguiu fugir para a floresta e montou um exército de 1000 guerreiros, entre homens e mulheres. Com este poderio, conseguiu libertar uma área do Vietnã do domínio chinês. Com 23 anos, já havia derrotado por volta de 30 batalhões Wu. Alguns documentos dizem que Triêu surgia em batalha montada em um elefante, vestindo uma armadura dourada e brandindo duas espadas.

3- Budica

Pintura de Budica montando uma biga
Budica foi rainha dos Icenos, povo britânico que liderou uma rebelião contra as forças de ocupação do Império Romano, no séc. I. Ao morrer, seu marido havia deixado seu reino para ser governado por uma aliança que envolvia suas filhas e o imperador romano. Porém, os romanos não reconheceram a aliança e assumiram controle total sobre o reino. Na ocasião, Budica foi açoitada e suas filhas foram estupradas.
Mais tarde, ela foi escolhida para liderar seu povo num ataque contra os romanos. Seu exército teve grande sucesso no ataque e destruiu completamente as cidades de Colchester e Londres. Segundo Tácito, o exército de Budica não fazia prisioneiros. Qualquer um que cruzasse seu caminho era simplesmente exterminado. Já Dio Cassius relatou que as mulheres nobres romanas eram decapitadas e tinham os seios cortados e costurados à boca. Ironicamente, há uma estátua de Budica na cidade que ela mesma destruiu.

4- Irmãs Trung

Pintura das Irmãs Trung montando elefantes de guerra
As irmãs Trung foram líderes militares vietnamitas que conseguiram repelir invasões chinesas por três anos seguidos. Elas são consideradas heroínas nacionais no Vietnã. Elas nasceram no séc. I, durante os mil anos de ocupação chinesa. Após lutar contra uma pequena unidade chinesa na aldeia em que viviam, elas montaram um exército formado exclusivamente por mulheres.
Dentro de poucos meses, elas tomaram de volta muitas aldeias das mãos dos chineses e libertaram o Vietnã. Elas se tornaram rainhas e repeliram os ataques chineses durante dois anos. No entanto, a China armou um grande exército para esmagar as irmãs e, apesar do esforço das mulheres guerreiras, o exército chinês foi vitorioso. Para evitar humilhação nas mãos do inimigo, as irmãs Trung cometeram suicídio, afogando-se no rio Day.

5- Artemísia I de Cária

Foto da escultura de Artemisia I, de Cária
Artemísia I de Cária se tornou governante da Jônia, cliente dos persas. Ela é lembrada por sua participação na Batalha da Salamina, no contextos das Guerras Médicas. Ela mesmo aconselhou o rei Xerxes a não confrontar os gregos pelo mar. Porém, o rei ignorou o seu conselho e ela participou da batalha comandando cinco navios, em 480 a.C. Em determinado momento, os gregos estiveram próximos de capturar o seu trirreme, quando ela pensou em um plano ardiloso para fugir.
Rapidamente, ela afundou um navio persa, fazendo os gregos pensarem que ela estava lutando ao lado deles. Assim, deixaram-na em paz. Xerxes, assistindo de uma colina próxima, achou que ela tivesse afundado um navio inimigo, e elogiou sua bravura. O rei persa ficou tão orgulhoso, que disse: “Meus homens se transformaram em mulheres, e minhas mulheres em homens”. Artemísia tentou convencer Xerxes a recuar para a Ásia Menor, contrariando os conselhos de outros generais. No fim, os persas sofreram uma grande derrota.

6- Fu Hao

Pintura de Fu Hao fazendo preces
Fu Hao foi uma consorte do rei Wu Ding, da dinastian Shang, por volta de 1200 a.C. Ela também foi alta sacerdotisa e general militar, algo incomum no seu tempo. Sua tumba foi descoberta intacta em Yinxu, com os tesouros conservados. Os estudiosos modernos encontraram registros sobre ela em inscrições em artefatos em osso. Estas inscrições mostram que ela liderou várias campanhas militares.
Os vizinhos Tu lutaram contra os Shang durante muitas gerações, mas Fu Hao os venceu em uma única batalha. Ela ainda liderou outras campanhas contra os vizinhos Yi, Qiang e Ba, sendo que a batalha contra estes últimos representou a maior emboscada registrada na História da China. Com um exército de 13 mil soldados, ela foi a maior líder militar do seu tempo.

7- Ah-hotep I

Pintura de Ah Hotep em um tumba mortuária
Ah-hotep I foi uma figura tão importante no período do Novo Império, que chega a ser considerada, pelos estudiosos, como a principal fundadora da 18ª Dinastia do Egito, no séc. XVI a.C. Ela teve uma vida longa e influente e governou como regente após a morte de seu pai. Neste período, permitiu que seus dois filhos – Kamose e Ahmose I – unificassem o reino após a expulsão dos hicsos. Aliás, ela foi uma das responsáveis pela expulsão deste povo do Egito.
Viveu até os noventa anos e foi enterrada ao lado de Kamose, em Tebas. Armas e jóias encontradas na tumba de Ah-hotep I incluem um machado retratando Ahmose I derrubando um soldado hicso e voando em direção à rainha, o que reforça o seu papel na expulsão dos hicsos. Desta forma, ela ficou conhecida como a rainha guerreira. Ela foi homenageada com uma estela, encomendado por Ahmose I no templo de Amon-Rá, que elogia seus feitos militares.

8- Joana d’Arc

Pintura de Joana D'Arc sendo queimada
Joana d’Arc é considerada uma das mulheres mais fortes e guerreiras que o mundo já conheceu. Nasceu em 1412, no vilarejo de Domrémy, França. Ao completar 13 anos, a jovem passou a ouvir vozes sagradas, que diziam que a menina deveria salvar a França dos ingleses. Isto ocorreu no ápice da Guerra dos Cem Anos, conflito que se iniciou em 1337 e teve fim em 1453. Tendo Joana completado 16 anos, o rei Carlos VII – ainda não coroado – a equipou e abençoou no cerco de Orleans.
Apesar de estarem em menor número, os franceses contavam com a força, coragem e garra de Joana. A batalha durou alguns dias e os ingleses recuaram. Depois de várias vitórias, Joana coroou Carlos VII, em 1429. Ela foi a única pessoa registrada a comandar o exército de uma nação com apenas dezessete anos. Ela foi julgada por heresia em um falso tribunal e queimada na fogueira. Seu julgamento foi declarado inválido pelo Papa, e ela foi canonizada como santa muitos anos mais tarde.

9- Zenóbia

PIntura de Zenóbia olhando para os seus súditos
Zenóbia governou a Síria de 250 a 275. Ela liderava seu exército montada em um cavalo, com armadura completa. Durante o reinado do imperador romano Cláudio, ela impôs uma derrota tão avassaladora sobre as tropas romanas, que as legiões tiveram que recuar rapidamente para a Ásia Menor. Arábia, Armênia e Pérsia aliaram-se a ela e a declararam rainha do Egito.
Aureliano, sucessor de Cláudio, enviou seus melhores guerreiros para derrotar Zenóbia, mas foram necessários quatro anos de cercos e batalhas para que Palmira – então capital da Síria – fosse conquistada. Zenóbia e mais nove rainhas de províncias aliadas foram capturadas e levadas pelas estradas romanas, presas em correntes. Algum tempo depois, sob ordens de Aureliano, Zenóbia foi exilada em Tibur, mas sua família influenciou a política romana por muitas gerações.

10- Tamara da Geórgia

Pintura do rosto de Tamara, da Geórgia
Tamara foi a filha do rei George III, da Geórgia. Seu pai a declarou co-governante e herdeira, aparentemente para prevenir disputas após sua morte. Após a morte de George III, Tamara ganhou a reputação de líder excepcional e foi apelidada de “Rei dos Reis e Rainha das Rainhas”, por seu povo.
Tamara desempenhou papel ativo na condução de seu exército. Durante seu governo, a Geórgia atingiu o ápice político, cultural e econômico. Entre 1201 e 1203, os georgianos conquistaram e anexaram as capitais armenas de Ani e Dvin. Em 1204, o exército de Tamara ocupou a cidade de Kars. Neste mesmo ano, Tamara ajudou a fundar o Império de Trebizonda, na margem sul do Mar Negro. Faleceu em 1213.

10 abusos sofridos pela mulher

1- Vestimentas obrigatórias

Mulheres usando burca preta
Em 2001, um grupo militante chamado Lashkar-e-Jabar exigiu que as mulheres muçulmanas da Caxemira usassem burcas – vestimenta que as cobre dos pés à cabeça -, sob o risco de serem atacadas. Os homens jogaram ácido no rosto de duas mulheres que não se cobriram em público. O grupo também exigiu que as mulheres hindu e sikh adotassem vestimentas obrigatórias: defendiam que as mulheres hindu deveriam usar o bindi – tradicional ponto colorido – na testa, e as mulheres sikh deveriam cobrir suas cabeças com um pano cor de açafrão.

2- Infanticídio feminino

Bebê indiano no colo da mãe
A política do filho único, na China, fez aumentar o desdém por crianças do sexo feminino: aborto, negligência, abandono e infanticídio (assassinato de crianças) são alguns crimes que atingem estas crianças. O resultado deste planejamento familiar foi uma média de 114 homens para cada 100 mulheres, entre crianças de 0 (recém-nascidas) a 4 anos de idade. Normalmente, a taxa é de 105 homens para cada 100 mulheres. Da mesma forma, o número de meninas que nascem e sobrevivem na Índia é significativamente menor se comparado com o número de meninos.

3- Perseguição sexual

Sombra de mulher chorando
Muitos países criminalizam o sexo antes do casamento. No Marrocos, as penas para violação do código penal, no que tange a esta questão, incorrem bem mais em mulheres do que em homens. Mulheres solteiras grávidas, em particular, sofrem com a perseguição sexual. O código penal marroquino também considera o estupro de uma virgem como uma circunstância agravante de agressão. A mensagem é clara: o grau de punição do agressor é determinada pela experiência sexual da vítima.

4- Sequestro de noivas

Sequestro de noiva no Quirguistão
sequestro de noivas é uma prática comum no Quirguistão e Turcomenistão. Quando é hora de se casar no Quirguistão, o homem ou sua família escolhem uma mulher, que será sequestrada. O noivo, seus parentes e amigos a levam para a casa da família, onde as mulheres mais velhas tentam convencer a mulher sequestrada a aceitar o casamento. Algumas famílias mantém a mulher refém durante vários dias para fazê-la ceder. Na Etiópia e Ruanda, o processo tem requintes de brutalidade, pois o homem, além de sequestrar a mulher, também a estupra.

5- Morte por honra

Mulher sendo enterrada viva
Morte por honra é uma forma de punição cometida contra uma mulher que se julga ter desonrado os membros de sua família. Geralmente, as vítimas são mulheres que: recusam um casamento arranjado; são vítimas de um abuso sexual; buscam o divórcio; cometem adultério; ou praticam sexo fora do casamento. A UNICEF relatou que, na Índia, mais de 5000 noivas são mortas anualmente porque seus dotes de casamento são considerados insuficientes.

6- Queimadura

Queimadura no corpo de uma mulher
Queimadura é uma forma de violência doméstica praticada em partes da Índia, Paquistão, Bangladesh e outros países localizados no ou ao redor do subcontinente indiano. O ato é praticado da seguinte maneira: um homem, ou sua família, jogam querosene, gasolina ou outros líquidos inflamáveis na esposa. Depois, ateiam fogo, levando a mulher à morte ou lesões permanentes.

7- Ataques com ácido

Ataque com ácido em corpo de mulher
Ataques ácidos são uma forma de violência que ocorrem principalmente no Afeganistão. Perpetradores desses ataques jogam ácido em suas vítimas (normalmente em seus rostos), queimando-as. As conseqüências incluem cicatrizes permanentes no rosto e no corpo, assim como cegueira.

8- Mutilação genital feminina

Mulher sofrendo mutilação genital
mutilação genital feminina se refere a todos os procedimentos de remoção parcial ou total dos órgãos genitais femininos externos, assim como outras formas de lesão, quer por razões culturais, religiosas, ou mesmo por razões terapêuticas. Estas formas de mutilação aparecem no mundo todo, mas são mais comuns em regiões da África. Geralmente, ocorre entre os 4 e 8 anos de idade, mas pode ocorrer em qualquer idade desde a infância até a adolescência. O procedimento, quando realizado sem anestesia, pode levar à morte por choque, devido à imensa dor, ou por sangramento excessivo.

9- Tráfico de mulheres

Mulheres vítimas de tráfico de mulheres
Desde a queda da cortina de ferro, os países pobres do antigo bloco oriental, como a Albânia, Moldávia, Roménia, Bulgária, Belarus e Ucrânia têm sido identificados como principal origem do tráfico de mulheres e crianças. As meninas são freqüentemente atraídas para os países ricos pela promessa de dinheiro e trabalho e, em seguida, reduzidas à escravidão sexual. Estima-se que 2/3 das mulheres traficadas para prostituição, anualmente, vêm da Europa Oriental, sendo que 3/4 delas nunca trabalhou como prostituta antes.

10- Servidão ritual

Mulheres sofrendo servidão ritual
Em algumas partes de Gana, uma família pode ser punida por um delito tendo que entregar uma mulher virgem para servir como escrava sexual dentro da família ofendida. Neste sistema de escravidão, sob forma de servidão ritual, meninas virgens são dadas como escravas em templos tradicionais e usadas sexualmente por sacerdotes.

10 mulheres superpoderosas

1- Leonor da Aquitânia

Pintura de Leonor, da Aquitânia
Leonor da Aquitânia nasceu em 1122 e morreu em 1204. Foi Duquesa da Aquitânia e da Gasconha, Condessa de Poitiers e rainha consorte de França e Inglaterra. Era a filha mais velha de Guilherme X, o Santo, a quem sucedeu em 1137, e de Leonor de Châtellerault. A sua fortuna pessoal e o seu apurado sentido político fizeram-na uma das mulheres mais poderosas e influentes da Idade Média.
Leonor nasceu na corte mais literata e culta do seu tempo. Era fluente em cerca de oito línguas, aprendeu matemática e astronomia e discutia leis e filosofia a par com os doutores da Igreja. Esta educação, excepcional por ser mulher em uma época em que a maior parte dos governantes eram analfabetos, permitiu-lhe desenvolver espírito crítico e sagacidade política.

2- Hatshepsut

Escultura de Hatshepsut, do Egito
Hatshepsut foi uma esposa real, regente e faraó do Antigo Egito. Viveu no começo do século XV a.C, pertencendo à 18ª Dinastia do Novo Império. Nasceu em Tebas, era a filha mais velha do rei Tutmés I e da rainha Ahmose. O seu reinado, de cerca de vinte e dois anos, correspondeu a uma era de prosperidade econômica.
O governo de Hatshepsut é habitualmente apresentado como correspondendo a uma era de paz, mas esta imagem tem sido relativizada por alguns investigadores. Pelo menos duas campanhas militares foram conduzidas durante o seu reinado, uma das quais à Núbia, a qual talvez tenha sido liderada pela própria Hatshepsut.

3- Maria Teresa, da Áustria

Pintura de Maria Teresa, da Áustria
Maria Teresa de Áustria nasceu em 1717 e morreu em 1780. Foi a primeira e única mulher a chefiar a Casa de Habsburgo, arquiduquesa da Áustria, rainha da Hungria e da Boêmia. Foi a filha mais velha de Carlos III. Tornou-se a Sacra Imperadora Romano-Germânica quando seu marido foi eleito Sacro Imperador. É considerada um dos “déspotas esclarecidos”, no contexto do Iluminismo.
Chefiou um dos Estados mais importantes de seu tempo, governando grande parte da Europa Central. No seu governo, reformou os impostos de maneira a garantir uma renda anual constante para financiar o governo e as forças armadas. Criou uma suprema corte com a função de distribuir justiça e estabeleceu academias militar e de ciências da engenharia. Suas reformas fortaleceram a economia.

4- Imperatriz Teodora

Mosaico da imperatriz Teodora, de Bizâncio
Teodora nasceu em 500 e morreu em 548. Foi imperatriz do Império Bizantino e esposa do imperador Justiniano I. Junto com o marido, ela é santa da Igreja Católica Ortodoxa. Com sua ascensão ao trono imperial, Justiniano a fez imperatriz consorte e, aparentemente, a tornou parceira efetiva no exercício do poder.
Com vontade férrea, ela mostrou um notável talento para governar. Na Revolta de Nika, de 532, o povo protestava contra o aumento de impostos. Temendo a reação da população, Justiniano pensou em fugir. Porém, o conselho e capacidade de liderança de Teodora provocou o fim do motim e salvou o império. Ela convenceu Justiniano a usar os impostos para pagar a reconstrução de igrejas, o que o fez querido pelo povo.

5- Imperatriz Wu Zetian

Pintura da imperatriz Wu Zetian
Wu Zetian nasceu em 625 e morreu em 705. Foi a primeira mulher na história da China que ocupou o trono imperial. Embora outras mulheres tenham tido influência sobre o poder, com posição de imperatrizes consortes ou regentes, a Imperatriz Wu foi a única que reinou como soberana, chegando a proclamar a sua própria dinastia.
Uma mulher pretender ocupar o posto de Huángdì (Imperatriz) foi motivo de escândalo para muitos dos intelectuais da época, que viam na subida ao trono de uma mulher uma violação das normas do confucionismo. A Imperatriz Wu Zetian tentou calar estas críticas mediante o patrocínio do budismo, promovendo interpretações da doutrina budista que davam legitimidade ao seu reinado.

6- Isabel I, de Castela

Pintura da rainha Isabel I
Isabel I nasceu em 1451 e morreu em 1504. Foi casada com Fernando, rei da Sicília e herdeiro de Aragão. Pormorte de seu meio-irmão, o rei Henrique IV, foi proclamada rainha de Castela. No fim da Reconquista, com a tomada de Granada, a rainha mostrou grande firmeza no governo, tentou converter ao catolicismo os muçulmanos e apoiou Cristóvão Colombo na sua expedição ao Novo Mundo.
Após a descoberta de Colombo, a rainha se interessou pelo bem estar dos americanos nativos. Ordenou que os nativos fossem bem tratados nos territórios controlados pelos espanhóis. Seu legado também tem um lado mais obscuro: favoreceu a inquisição espanhola e foi responsável pela expulsão dos judeus da Espanha, em 1492.

7- Elisabete I, da Inglaterra

Pintura da rainha Elizabeth I
Elisabete I nasceu em 1533 e morreu em 1603. Foi Rainha da Inglaterra e da Irlanda, desde 1558 até à sua morte. Também ficou conhecida pelos nomes de A Rainha Virgem, Gloriana e Boa Rainha Bess. Seu reinado é conhecido por Era Dourada, representativo do absolutismo monárquico europeu. Foi um período de ascensão, marcado pelos primeiros passos na fundação daquilo que seria o Império Britânico, e pela produção artística crescente.
Durante seu reinado, a Inglaterra obteve grandes vitórias militares e evitou uma invasão espanhola. Também conseguiu impedir a deflagração de uma guerra religiosa ou civil no solo inglês. Era considerada defensora dos protestantes. Alguns historiadores a criticam por ter apoiado o tráfico de escravos na Inglaterra.

8- Imperatriz Tseu-Hi

Foto da imperatriz Tseu-Hi
Tseu-Hi nasceu em 1835 e morreu em 1908. Foi imperatriz e regente da China. Seu poder é considerado maior do que a imperatriz Wu Zetian. Ela foi uma líder ambiciosa e conservadora. Se opôs à influência estrangeira e favoreceu a rebelião dos Boxers, em 1900.
Seu governo foi marcado por uma grande crise interna. Enfrentou a Segunda Guerra do Ópio e sufocou a Rebelião Taiping, em um dos conflitos mais sangrentos da História. Sentia um grande ódio pela cultura ocidental, se opondo a qualquer tentativa de reformas políticas e culturais. Ironicamente, no fim de sua vida, mudou de opinião, defendendo a modernização da China.

9- Catarina II, da Rússia

Pintura da imperatriz Catarina II
Catarina II da Rússia, também conhecida como Catarina, A Grande, nasceu em 1729 e morreu em 1796. Foi uma imperatriz e déspota russa. Sob seu governo, o Império Russo expandiu-se, melhorou sua administração e continuou a modernizar-se. O reinado de Catarina revitalizou a Rússia, que cresceu com ainda mais força e tornou-se conhecida como uma das maiores potências européias.
Os seus sucessos dentro da complexa política externa e as suas represálias por vezes brutais em resposta aos movimentos revolucionários andavam de mãos dadas com sua caótica vida privada. Ela causava escândalo frequentemente, devido aos inúmeros amantes que tinha. A estes, elevava o cargo no auge da paixão, e mandava-os para longe quando a paixão se apagava.

10- Rainha Vitória

Foto da rainha Vitória, da Inglaterra
Vitória I nasceu em 1819 e morreu em 1901. Foi rainha do Reino Unido, de 1837 até a morte, sucedendo ao tio, o rei Guilherme IV. O reinado de Vitória foi o mais longo da História do Reino Unido e ficou conhecido como a Era Vitoriana. Este período foi marcado pela Revolução Industrial, pelo Imperialismo inglês e por grandes mudanças a nível econômico, político, cultural e social.
Seu império englobava os seis continentes, controlando regiões como Austrália, Índia, Nova Zelândia, Nigéria, África do Sul e Sudão. Geograficamente, o Império Britânico foi o maior império colonial do séc. XIX e o maior da História. Governou, aproximadamente, 480 milhões de pessoas durante seu reinado.

25 conquistas das mulheres no Brasil

PIntura da imperatriz Maria Leopoldina em frente a acessores
- 1822: Maria Leopoldina Josefa Carolina, arquiduquesa da Áustria e imperatriz do Brasil, exerce a regência, em 1822, na ausência de D. Pedro I, que se encontrava em São Paulo. A imperatriz envia-lhe uma carta, juntamente com outra de José Bonifácio, além de comentários a Portugal criticando a atuação do marido e de dom João VI. Ela exige que D. Pedro proclame a independência do Brasil e, na carta, adverte: “O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece”.
- 1827: surge a primeira lei sobre educação das mulheres, permitindo que freqüentassem as escolas elementares; as instituições de ensino mais adiantado eram proibidas a elas.
- 1879: As mulheres têm autorização do governo para estudar em instituições de ensino superior; mas as que seguiam este caminho eram criticadas pela sociedade.
- 1885: A compositora e pianista Chiquinha Gonzaga estreia como maestrina, ao reger a opereta “A Corte na Roça”. É a primeira mulher no Brasil a estar à frente de uma orquestra. Precursora do chorinho, Chiquinha compôs mais de duas mil canções populares, entre elas, a primeira marcha carnavalesca do país: “Ô Abre Alas”. Escreveu ainda 77 peças teatrais.
- 1887: Formou-se a primeira médica no Brasil: Rita Lobato Velho. As pioneiras tiveram muitas dificuldades em se afirmar profissionalmente e algumas foram ridicularizadas.
- 1917: A professora Deolinda Daltro, fundadora do Partido Republicano Feminino em 1910, em plena República Oligárquica, lidera uma passeata exigindo a extensão do voto às mulheres.
- 1927: O Governador do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, consegue uma alteração da lei eleitoral dando o direito de voto às mulheres. O primeiro voto feminino no Brasil – e na América Latina! – foi em 25 de novembro, no Rio Grande do Norte. Quinze mulheres votaram, mas seus votos foram anulados no ano seguinte. No entanto, foi eleita a primeira prefeita da História do Brasil: Alzira Soriano de Souza, no município de Lages – RN.
- 1932: Getúlio Vargas, no início da Era Vargas, promulga o novo Código Eleitoral, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras. A primeira atleta brasileira a participar de uma Olimpíada, a nadadora Maria Lenk, de 17 anos, embarca para Los Angeles. É a única mulher da delegação olímpica.
- 1933: Nas eleições para a Assembléia Constituinte, são eleitos 214 deputados e uma única mulher: a paulista Carlota Pereira de Queiroz.
- 1937/1945: O Estado Novo criou o Decreto 3199 que proibia às mulheres a prática dos esportes que considerava incompatíveis com as condições femininas tais como: “luta de qualquer natureza, futebol de salão, futebol de praia, pólo, pólo aquático, halterofilismo e beisebol”. O Decreto só foi regulamentado em 1965.
Foto de Eunice Michiles, a primeira senadora do Brasil
- 1948: Depois de 12 anos sem a presença feminina, a delegação brasileira olímpica segue para Londres com 11 mulheres e 68 homens.
- 1960: Durante o Período Democrático, a grande tenista brasileira, a paulista Maria Esther Andion Bueno torna-se a primeira mulher a vencer os quatros torneios do Grand Slam (Australian Open, Wimbledon, Roland Garros e US Open). Conquistou, no total, 589 títulos em sua carreira.
- 1979: Eunice Michilles, então representante do PSD/AM, torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo de Senadora, por falecimento do titular da vaga. A equipe feminina de judô inscreve-se com nomes de homens no campeonato sul-americano da Argentina. Esse fato motivaria a revogação do Decreto 3.199.
- 1980: Recomendada a criação de centros de autodefesa, para coibir a violência contra a mulher. Surge o lema: “Quem ama não mata”.
- 1983: Surgem os primeiros conselhos estaduais da condição feminina (MG e SP), para traçar políticas públicas para as mulheres. O Ministério da Saúde cria o PAISM – Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, em resposta à forte mobilização dos movimentos feministas, baseando sua assistência nos princípios da integralidade do corpo, da mente e da sexualidade de cada mulher.
- 1985: Surge a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher – DEAM (SP) e muitas são implantadas em outros estados brasileiros. Ainda neste ano, com a Nova República, a Câmara dos Deputados aprova o Projeto de Lei que criou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. É criado o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), em lugar do antigo Fundo de Contribuições Voluntárias das Nações Unidas para a Década da Mulher.
- 1988: Através do lobby do batom, liderado por feministas e pelas 26 deputadas federais constituintes, as mulheres obtêm importantes avanços na Constituição Federal, garantindo igualdade a direitos e obrigações entre homens e mulheres perante a lei.
- 1990: Eleita a primeira mulher para o cargo de senadora: Júnia Marise, do PDT/MG. Zélia Cardoso de Mello é a primeira ministra do Brasil. Ela assume a pasta da Economia no governo de Fernando Collor (1990-92).
- 1993: Assassinada Edméia da Silva Euzébia, líder das Mães de Acari, o grupo de nove mães que ainda hoje procuram seus filhos, 11 jovens da Favela de Acari (RJ), seqüestrados e desaparecidos em 1990. Ocorre, em Viena, a Conferência Mundial de Direitos Humanos. Os direitos das mulheres e a questão da violência contra o gênero recebem destaque, gerando assim a Declaração sobre a eliminação da violência contra a mulher.
- 1994: Roseana Sarney é a primeira mulher eleita governadora de um estado brasileiro: o Maranhão. Foi reeleita em 1998.
Foto de Nelida Piñon, a primeira mulher na Academia Brasileira de Letras
- 1996: O Congresso Nacional inclui o sistema de cotas, na Legislação Eleitoral, obrigando os partidos a inscreverem, no mínimo, 20% de mulheres nas chapas proporcionais.
- 1996: A escritora Nélida Piñon é a primeira mulher a ocupar a presidência da Academia Brasileira de Letras. Exerce o cargo até 1997 e é membro da ABL desde 1990.
- 1997: As mulheres já ocupam 7% das cadeiras da Câmara dos Deputados; 7,4% do Senado Federal; 6% das prefeituras brasileiras (302). O índice de vereadoras eleitas aumentou de 5,5%, em 92, para 12%, em 96.
- 1998: A senadora Benedita da Silva é a primeira mulher a presidir a sessão do Congresso Nacional.
- 2003: No Brasil do século XXI, Marina Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT) do Acre, reeleita senadora com o triplo dos votos do mandato anterior, assume o Ministério do Meio Ambiente do governo Lula.
- 2010: Dilma Rousseff, é eleita a primeira presidente mulher do Brasil.N

25 conquistas históricas das mulheres

- 1788: O político e filósofo iluminista francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres;
- 1792: Na Inglaterra, Mary Wolstonecraft escreve um dos grandes clássicos da literatura feminista – A Reivindicação dos Direitos da Mulher – onde defendia uma educação para meninas que aproveitasse seu potencial humano.
- 1840: Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos, pouco antes de estourar a Guerra de Secessão.
- 1857: Nos Estados Unidos, mo dia 8 de março, em uma fábrica têxtil, em Nova Iorque, 129 operárias morrem queimadas numa ação policial porque reivindicaram a redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias e o direito à licença-maternidade. Mais tarde foi instituído o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, em homenagem a essas mulheres.
- 1859: Surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
- 1862: Durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
- 1865: Na Alemanha, Louise Otto cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
- 1866: No Reino Unido, em plena Revolução Industrial, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas.
- 1869: É criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres.
Foto de Fanny Blankers-Koen, que conquistou 4 medalhas de ouro em Olimpíada
- 1893: Na Nova Zelândia, pela primeira vez no mundo, as mulheres têm direito ao voto.
- 1870: Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
- 1874: Criada no Japão a primeira escola normal para moças.
- 1878: Criada na Rússia uma Universidade Feminina.
- 1901: O deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres.
- 1923: No Japão, as atletas femininas ganham o direito de participarem das academias de artes marciais.
- 1945: Após a Segunda Guerra Mundial, a igualdade de direitos entre homens e mulheres é reconhecida em documento internacional, através da Carta das Nações Unidas.
- 1948: A holandesa Fanny Blankers-Koen, 30 anos, mãe de duas crianças, foi a grande heroína individual da Olimpíada, superando todos os homens ao conquistar quatro medalhas de ouro no atletismo.
- 1949: São criados os Jogos da Primavera, ou ainda “Olimpíadas Femininas”. No mesmo ano, a francesa Simone de Beauvoir publica o livro “O Segundo Sexo”, no qual analisa a condição feminina.
- 1951: Aprovada pela Organização Internacional do Trabalho a igualdade de remuneração entre trabalho masculino e feminino para função igual.
Foto da primeira ministra alemã, Angela Merkel
- 1974: Na Argentina, Isabel Perón torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente.
- 1975: Na Argentina, comemora-se o Ano Internacional da Mulher. A ONU promove a I Conferência Mundial sobre a Mulher, na Cidade do México. Na ocasião, é criado um Plano de Ação.
- 1983: Nos Estados Unidos, Sally Ride é a primeira mulher astronauta. Voou na nave espacial Challenger.
- 1985: No dia 29 de agosto, foi criado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) com a finalidade de promover em âmbito nacional, políticas que visem a eliminar a discriminação da mulher, assegurando-lhe condições de liberdade e de igualdade de direitos, bem como sua plena participação nas atividades políticas, econômicas e culturais do País.
- 2001: Na Alemanha, Jutta Kleinschmidt é a primeira mulher a vencer o Rali Paris-Dakar, na categoria carros. Considerada a prova mais difícil do planeta – seu desafio é atravessar o deserto – Kleinschmidt, com essa vitória, faz jus à força feminina, presente em todas as atividades do mundo atual. Em 23 anos de disputa, jamais uma mulher havia ganhado nessa competição.
- 2005: Na Alemanha, Angela Merkel foi eleita a nova chanceler alemã, a primeira mulher a ocupar o cargo na história do país. Ela foi aprovada para o cargo pelo Parlamento alemão, e teve 397 votos a favor, contra 202 contra. Houve 12 abstenções.

O que comemorar no mês das mulheres?

Dia 08 de março é Dia Internacional da Mulher. A data foi escolhida a partir das manifestações de mulheres operárias, nos Estados Unidos, por melhores condições de trabalho. O movimento, ocorrido no dia em 08 de março de 1857, foi duramente reprimido. Não bastasse a violência, ocorreu um incêndio na fábrica que causou a morte de mais de 100 operárias que lá trabalhavam. Décadas depois, o 08 de março ficou reconhecido oficialmente como o Dia da Mulher.
De lá para cá, as mulheres vêm somando inúmeras conquistas, como o direito ao voto, a ocupação de cargos públicos importantes, a equiparação salarial, entre muitas outras. Porém, não podemos fechar os olhos para muitos abusos que mulheres de todas as partes do mundo ainda sofrem. Pretendo, neste artigo, estimular uma reflexão em cima de temas considerados polêmicos, mas que necessitam ser discutidos, como a perseguição sexual, o sequestro de noivas e o tráfico de mulheres.
Muitos países criminalizam o sexo antes do casamento. No Marrocos, as penas para violação do código penal, no que tange a esta questão, incorrem bem mais em mulheres do que em homens. Mulheres solteiras grávidas, em particular, sofrem com a perseguição sexual. O código penal marroquino também considera o estupro de uma virgem como uma circunstância agravante de agressão. A mensagem é clara: o grau de punição do agressor é determinada pela experiência sexual da vítima.
O sequestro de noivas é uma prática comum no Quirguistão e Turcomenistão. Quando é hora de se casar no Quirguistão, o homem ou sua família escolhem uma mulher, que será sequestrada. O noivo, seus parentes e amigos a levam para a casa da família, onde as mulheres mais velhas tentam convencer a mulher sequestrada a aceitar o casamento. Algumas famílias mantém a mulher refém durante vários dias para fazê-la ceder. Na Etiópia e Ruanda, o processo tem requintes de brutalidade, pois o homem, além de sequestrar a mulher, também a estupra.
O tráfico de mulheres entrou em discussão a partir da abordagem do tema na recente novela das oito. Desde a queda da cortina de ferro, os países pobres do antigo bloco oriental europeu, como a Albânia, Moldávia, Romênia, Bulgária, Belarus e Ucrânia têm sido identificados como principal origem do tráfico de mulheres e crianças. As meninas são frequentemente atraídas para os países ricos pela promessa de dinheiro e trabalho e, em seguida, reduzidas a escravidão sexual. Estima-se que 2/3 das mulheres traficadas para prostituição, anualmente, vêm da Europa Oriental, sendo que 3/4 delas nunca trabalhou como prostituta antes.
 Esta lista, certamente, é bem maior, mas o espaço é limitado e impede o seu prolongamento. Que o mês de março seja um momento para relembrar as grandes conquistas históricas das mulheres. Não obstante, que também seja aproveitado para discutir situações em que alguns direitos essenciais ainda não foram conquistados, ou ainda não estão sendo respeitados.
Este artigo foi publicado no Jornal A Tribuna